O que é ciúme?
O ciúme é um sentimento de temor de perder o amor de uma pessoa, em favor de outra. Um certo temor básico de perder o afeto da pessoa amada é construtivo no sentido de motivar o zelo e o cuidado para com a relação. Contudo, quando o temor é exagerado, o amor torna-se possessivo e destrutivo para as duas partes da relação.
Quando o ciúme é patológico?
Quando o sentimento de insegurança e desconfiança infundado prevalece em relação à pessoa amada, causando dor, sofrimento, dúvidas, conflitos, acusações, brigas e eternas discussões, o ciúme deixa de ser um zelo e passa a ser patológico. Nesse caso, o ciúme é marcado por um constante desconfiar, apesar de não ter evidências para tal.
Sinais de que você possui ciúme patológico:
– Dificuldade em confiar no seu parceiro (a) por mais provas que ele te apresente que é digno de confiança.
– Acredita que a qualquer momento o seu parceiro vai te trair.
– Imagina a existência de um suposto rival mais interessante que você, pode chegar a qual momento e roubar a sua pessoa amada.
– Imagina que a sua pessoa amada prefira o rival a você.
– Atitude possessiva com dificuldade de aceitar que a pessoa amada gosta de outras pessoas, relaciona e possui seus próprios interesses e necessidades.
– Histórico de inúmeras brigas e discussões motivadas pela desconfiança da pessoa amada.
Origem do ciúme patológico
O ciúme patológico é causado por uma falha no processo de triangulação. No desenvolvimento infantil, é esperado que, por volta dos quatro aos seis anos, a criança evolua de uma relação diádica (exclusiva) com a mãe para se relacionar com uma terceira pessoa (geralmente a figura paterna).
Nessa fase, é esperado que os adultos, num clima de segurança, sejam firmes e carinhosos com a criança, auxiliando-a a relacionar-se ao mesmo tempo, com uma figura que exerça a função maternal e com uma figura que exerça a função paternal.
Quando ocorre alguma falha nesse processo, a criança fica presa a sensação de desconfiança em relação a pessoa amada ou ainda de insegurança e ameaça de que, a qualquer momento, outra pessoa chegará e roubará à pessoa amada.
Aspectos infantis no ciúme patológico:
Uma pessoa com ciúme possessivo apresenta os seguintes aspectos infantis na sua dinâmica relacional:
– Acredita que na vida adulta seja possível viver um amor incondicional.
– Apresenta uma ilusão de posse, acredita que a pessoa amada te pertence.
– Espera que a pessoa amada viva exclusivamente em função de si.
Transtornos causados pelo ciúme patológico:
O parceiro (a) de uma pessoa com ciúmes exagerados relata sentir-se sufocado com as desconfianças e as atitudes, tais como monitorar, verificar e questionar os passos. A liberdade e a individualidade do parceiro (a) ficam ameaçadas.
Num relacionamento, quando ambas as partes não podem exercer a própria liberdade e individualidade, o vínculo adoece e a relação é fadada ao rompimento. Quando isso não se concretiza e a relação adoecida é mantida, ocorre o que Dalmiro Bustos (1982) denominou de complementariedade interna
patológica, no qual motivações inconscientes sustentam o vínculo adoecido.
Tratamento do ciúme patológico:
Sendo o ciúme exagerado uma patologia do vínculo, pois nasce, desenvolve e se manifesta nas relações ao longo da vida, o seu tratamento ocorre por meio de psicoterapia.
Existe um método de ação profunda, originado na Sociatria, que é ciência que compreende e trata das relações humanas, denominado Psicodrama, que é altamente eficiente na compreensão e no tratamento do ciúme patológico.
É importante esclarecer que existem casos de ciúme delirante que é proveniente de transtornos mentais, e nesses casos recomenda-se o tratamento psiquiátrico concomitante ao tratamento psicoterápico.



