Nem todas as pessoas tiveram na infância experiências afetivas relacionais favoráveis para desenvolver um apego seguro e um desenvolvimento emocional facilitador na evolução de um esquema de relação passivo-dependente para um esquema gerador de maior autonomia, independência e interatividade.
Quando isso ocorre, se torna um adulto dependente emocional de outra pessoa estabelecendo apego excessivo e relacionamentos amorosos de necessidade, delineados por insegurança, sensação de vazio, ciúmes, desconfiança, temor, medo de rejeição, de abandono e dificuldades de aceitar e respeitar a necessidade de liberdade e individuação do outro causando um sufocamento no parceiro.
Enquanto a pessoa com dependência emocional depende de outra pessoa para viver e se sentir completa e segura, a pessoa com codependência renuncia a si em função de cuidar e atender às necessidades do outro.
Nas relações interpessoais, a pessoa com codependência pouco se permite receber, pois está mais habituado a se doar e por isso está em constante renúncia de si em função do outro, com necessidade de controle. Como se doa muito para o outro, se magoa e se ressente quando o outro não corresponde às suas expectativas.
Embora apresente um discurso de reclamações e queixas centrado no outro, não o percebe corretamente por carecer de uma dificuldade de reconhecer e perceber a si.
Ambos possuem dificuldade de identificar as próprias necessidades, vontades e desejos e, quando as identificam, não as assumem. Apresentam uma baixa estima e percepção distorcida de si, cultivando um temor ou medo constante de ser rejeitado ou abandonado, o que o leva a permanecer em situações, trabalhos, relacionamentos infelizes e/ou abusivos.
Também se observam manifestações de adoecimentos físicos em função da negação de sentimentos e contenção das emoções. Dos adoecimentos emocionais mais comuns, observa-se depressão, ansiedade, estresse, burnout, dependência por remédios ou substâncias psicoativas e transtornos do estresse pós-traumático.
Geralmente a pessoa que se expressa de forma codependente apresenta maior dificuldade de buscar ajuda psicológica e quando busca é para o outro ou em função de problemas de saúde física ou agravamentos de ordem emocional. Já o dependente busca ajuda principalmente em momentos de desespero e angústia frente o vazio e o temor de separações.
O tratamento da dependência e da codependência ocorre através da psicoterapia que facilitará no processo de reconhecimento de si e do outro, no desenvolvimento do sentimento de estima e confiança básica, na elaboração de experiências dolorosas relacionadas a temática da rejeição e desamparo e ainda, na estimulação da evolução de um esquema relacional passivo-dependente para um esquema gerador de autonomia e independência emocional.
Em suma, ambas formas de estar no mundo e se colocar nas relações interpessoais apresentam a mesma base da dependência emocional constituída nas experiências primárias, entretanto com algumas
particularidades na sua dinâmica relacional.



